UM CORPO NA BIBLIOTECA (Resenha 02#)

UM CORPO NA BIBLIOTECA

FICHA TÉCNICA:

TÍTULO ORIGINAL – 
THE BODY IN THE LIBRARY
AUTOR – AGATHA CHRISTIE
NÚMERO DE PÁGINAS: 199
EDITORA – NOVA FRONTEIRA



SINOPSE:

     O corpo de uma jovem é encontrado no tapete da biblioteca dos Bantry, às sete da manhã. A vítima é uma completa desconhecida e o casal Bantry decide chamar as autoridades para investigar o caso e também, é claro, Miss Marple, detetive amadora e amiga da sra. Bantry. Tudo se complica ainda mais quando chega até eles a notícia de outra adolescente morta, carbonizada dentro de um carro incendiado em uma pedreira. Qual será a possível conexão entre os dois incidentes?



RESENHA:

Este livro me surpreendeu!
É necessário começar essa resenha/crítica – escolha como quer chamar – dizendo que nunca havia lido nenhum romance policial. Nunca me senti atraída por esse tipo de literatura, mas depois de uma longa ressaca literária tive que me abrir para novos gêneros. Não amei o livro, vamos deixar isso claro, porém, ele foi efetivo ao me convencer a ler outros na mesma linha (Sherlock, você é o próximo).
Me mantendo entretida durante toda narrativa, Agatha Christie consegue desenvolver uma trama policial cômica e leve. Não é uma história assustadora, nem nojenta com cenas de sangue e suspense, como eu imaginava em minha cabecinha cheia de preconceitos para sair das fantasias e romances de dia a dia. Como já comentei em posts anteriores, não sou muito adepta a narração onisciente, porém, fui surpreendida em “Um corpo na biblioteca”. Não ser do ponto de vista de nenhum dos personagens tornou a história mais agitada. Pouco antes de ler esse livro, fui no cinema com meu marido para assistir ao filme “Entre facas e segredos” baseado na escrita da autora, não em um livro especifico, mas em todo o universo e forma de desenvolver uma história. Foi um filme interessante, muito melhor que a concorrência do dia e faz jus a forma de escrita dela. ASSISTAM!
            Meu único ponto negativo quanto à sua narração é algo totalmente pessoal que eu já esperava do gênero: uma vez que ela entrega as pistas, você sabe quem é o culpado. Isso acontece para mim logo no início da história e por mais que a história tente te levar a duvidar de outros personagens, se você é bom em dedução, o mistério acaba rápido.
            Agora que já comentei sobre o lado positivo, vamos à protagonista.
MISS MARPLE É TERRIVELMENTE CHATA. Nunca imaginei detestar tanto uma protagonista e ainda assim gostar de uma história. Embora essa seja – imagino – a intenção da autora, de que a protagonista seja a velha solteirona bisbilhoteira da cidade pequena que no fundo ninguém quer por perto, mas que no final das contas está certa, durante toda a história a achei completamente inconveniente.
            Não tenho, de verdade, muito mais que isso a dizer sobre ela. Imagino que se o livro fosse contado de seu ponto de vista eu o teria abandonado na página 50 (regra que uso para não desperdiçar meu tempo, se não me convenceu até a página 50, interrompo a leitura). Mas essa história tem muitos personagens secundários, então vamos logo falar um pouquinho sobre eles.
            Primeiro somos introduzidos ao casal Bantry em sua mansão pela manhã, onde o corpo é encontrado na biblioteca. O casal, embora comum para a época em que o livro é situado, desperta nosso interesse, pois parece manter segredos, o que logo nos faz suspeitar deles, principalmente do Sr. Bantry.
            A polícia, como sempre, averiguando primeiro o óbvio acaba um passo atrás da Miss Marple, mas é interessante ver como os inspetores tentam de certa forma (lê-se: de forma machista) proteger a integridade do Coronel Bantry e desviar o caso de um crime passional.
            Os Jefferson também estão na lista de suspeitos – quero dizer, personagens secundários - e devo dizer que na maior parte do livro somos levados a suspeitar deles, já que estes tinham maior envolvimento com a falecida. O Sr. Jefferson, patrono da família, é um senhor debilitado que perdeu esposa e filhos em um acidente, lhe restando somente a nora e o genro além de um neto adotado. Ao conhecer nossa falecida, que era uma jovem inocente, mas ambiciosa, o Sr. Jefferson dá motivos a sua família para tramar contra a menina.
            Josie, prima mais velha da vítima, não me passou nenhuma confiança durante toda a história. Evasiva e apática, foi minha suspeita principal logo de cara mesmo que a história não voltasse muito nela.
            Bom, por último vamos falar de aparência. Tenho em casa uma 3ª edição do livro, impressa e publicada em 1973 pela editora Nova Fronteira. É uma edição simples, de diagramação e capa comum, páginas amarelas – o que eu amo – e capa azul e verde, cores bonitas, mas sem muito a ver com a história. Não é um livro que se compra pela capa, ou que vai ficar lindo na sua estante. Algumas edições mais recentes, obviamente, são mais pomposas e revelam mais sobre a história ou pelo menos despertam mais a curiosidade do leitor. Existem edições caríssimas, capa dura, coisa de fã mesmo, mas uma que gostei bastante foi a edição de bolso da L&PM de 2014, com uma capa bem colorida e chamativa.
            Tenho certeza que voltarei a ler romances policiais, graças a Agatha Christie. Por isso indico esse livro como uma leitura para quem está, assim como eu, se aventurando por gêneros fora de sua zona de conforto. Porém, para quem já é fã do gênero deixo o aviso: fui informada por um fã da autora que esse não é o melhor trabalho dela, nem o pior. Assim, pretendo adquirir outros títulos em um futuro próximo para comentar aqui com vocês, e quem sabe podemos fazer uma leitura conjunta.

NARRAÇÃO 4
PROTAGONISTA 1
PERSONAGENS SECUNDÁRIOS 3
CAPA E DIAGRAMAÇÃO 4

NOTA FINAL: 3/5


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