FILÓSOFO SUICIDA (RESENHA #03)




FICHA TÉCNICA:

AUTOR – LEONARDO DE ANDRADE

NÚMERO DE PÁGINAS: 187

EDITORA – FUGITIVO LITERÁRIO

 

            SINOPSE:

Quando conheci Lars Justino, o sujeito tinha pontinhas brancas nos cabelos e uns fiapos quase invisíveis delatando a loucura em sua pobre alma nada sonhadora. De fato, era uma figura bem típica dos covis de malucos e covardes e mais malucos. Porém, não era um covarde, nem maluco (tudo bem, um pouquinho), pouco corajoso, mas bravo igual leão. Não contei a parte mais estranha: era imortal.

Lars tinha vivido muitos séculos, andado por muitas terras, conhecido gente mais estranha, e falava todas as línguas, menos inglês. Conheci esse sujeito há longos 17 anos, quando eu mesmo não tinha bigodes brancas e não estava cego de um olho. Disse-me estar vivo há exatos 2000 anos, cinco meses, quatro dias, três horas, dois minutos e um segundo. Não acreditei. Você acreditaria?

O conheci por puro acaso. Tudo porque um dia, sem mais nem menos, Lars Justino ficou cansado de ser imortal e embarcou em busca da morte.


CRÍTICA:

Essa foi uma releitura cheia de surpresas. Li esse livro pela primeira vez lá em janeiro de 2017 quando ainda era um manuscrito, sem capa, sem cor, sem cheiro de livro novo, muito menos de livro velho. Na época, ainda estava conhecendo o autor Leonardo de Andrade que me emprestara o manuscrito de Filósofo Suicida. Lembro de ter sido uma leitura rápida, mas na época não parei para prestar atenção e “criticar” o livro.           Volto hoje para fazer isso, após uma semana o lendo, e embora tenha percebido muito mais, minha opinião continua positiva – pois é, as coisas mudam. Naqueles tempos eu lia um livro a cada dois dias. Hoje como mãe, esposa, empresária e criadora de conteúdo, lamento dizer que meu ritmo reduziu bastante.

            Contando com um narrador personagem o autor vai te dando dicas de quem conta a história no decorrer da narrativa. Sempre ranzinza e sarcástico, o personagem narrador torna a jornada muito mais divertida enquanto conta um pouco sobre cada personagem que Lars e Ana conhecem pela Grande Nação de Amarelo.

            Por ser um personagem narrador, há momentos em que gostaríamos de estar um pouco mais dentro da cabeça de cada um dos outros personagens, conhece-los melhor, mas ficamos limitados ao que este pode nos contar, deixando com uma sensação de quero mais. O final da história faz com que você diga “como não percebi desde o início”. Sobre esse quesito, paro por aqui. Falar mais seria spoilers.

            Agora, falando sobre o nosso filósofo, nosso protagonista, PENSA EM UMA PESSOA TEIMOSA. Essa pessoa não se compara a Lars Justino. Nosso imortal mais teimoso de todos é um belo exemplo de Deus virando o potinho da teimosia todo na tigela de uma vez só – você lembra do meme “Deus me criando...” que ficou famoso no Facebook?. Decidido a morrer ou encontrar a verdade, o que vier primeiro, Lars parte em uma jornada onde conhece diversas pessoas: loucos, mendigos, viajantes, trambiqueiros, sábios e sem querer ou nem mesmo perceber, descobre as diferentes verdades de cada um.

            Nosso imortal bigodudo é cheio das filosofias e teimoso feito uma mula. Isso te faz querer que ele ache logo a forma de se matar. Algo que me incomoda um pouco nele é que ele aprende e progride bastante o tempo todo, porém, ao fim de cada virada, nova descoberta, ele volta a reforçar a vontade de morrer ou sua busca pela verdade, o tornando levemente repetitivo.

            Uma característica beeeeeem interessante dessa narrativa é a forma como o autor tornou os personagens secundários mais queridos que o personagem principal.

            Logo de cara conhecemos a querida Ana, uma menina de cabelos coloridos, andarilha e aventureira. Aninha já não tem família além de um tio que a estima muito e lhe envia dinheiro para suas andanças. Com seu gato pendurado no pescoço, ela é o espelho de uma jovem alma inocente que quer conquistar esse mundão. Você vai ama-la sem dificuldades e tomar partido por ela.

            Cegonha é outro personagem apresentado ainda nas primeiras páginas que continua conosco até quase o final. Dotado da sabedoria e de um coração aventureiro, ele é o tipo de pessoa com quem você quer sentar ao redor de uma fogueira e simplesmente escutar suas histórias. Durante todo o período que nós o acompanhamos queremos saber sua opinião sobre as questões filosóficas que Lars traz. De certo as conversas entre os dois são as melhores do livro todo.

            Eu poderia falar sobre outros cinco personagens apresentados no livro, personagens odiosos, personagens loucos, personagens que você só vai querer abraçar e dizer: pode deixar que vou achar o que tu quer, só chora aqui no meu ombro até você se sentir melhor. Porém, eu me estenderia demais, então só vou dizer para que você preste muita atenção a cada novo personagem apresentado, pois cada um nos traz uma lição de vida. E prepare-se para conhecer o Mestre dos Mares. Assim que acabei de ler o livro, ainda lá na primeira vez, pensei “*PALAVRÃO* eu queria um livro sobre esse cara”.

            Já comprando o livro pela capa, pois para mim a aparência do livro importa, sim! Em sua 1ª edição “Filósofo Suicida” ganhou uma capa em que havia uma cidade pincelada em aquarela, que representou muito bem a fantasia no livro. Infelizmente, por um erro gráfico, veio com um fundo verde nada atraente. Sua diagramação também deixou a desejar tanto até capítulo a mais e sem texto teve, algo que se tornou brincadeira na 2ª edição lançada em novembro de 2019 pela Editora Fugitivo Literário, em que o livro também ganhou uma nova capa.

Mas como a vida não é feita de coisas perfeitas e elogios, separo esse momento para reclamar de quatro coisinhas.

            A primeira é que tanta coisa acontece no livro que lá pela metade você para e se pergunta “não era para ler mais páginas?”. Uma história tão vasta quanto essa e tão cheia de elementos fantasiosos merecia pelo ao menos 400 páginas. O que nos leva a segunda reclamação: temos cerca de um capitulo para cada personagem apresentado e suas histórias definitivamente demandavam maior profundidade. O terceiro ponto negativo: pela forma como tudo é apresentado rápido e com a vastidão de elementos em alguns momentos não temos o suficiente para nos situar e criar o cenário.

A reclamação final é destinada a resolução da história. Acontece tudo muito rapidamente, de forma inesperada e brusca. PONTO FINAL, siga bem com sua vida. Esse final brusco é amenizado com um epílogo muito fofinho, mas eu gostaria de ter tido uns arrepios a mais e uma tensão maior no finalzinho.

Quando foi publicado pela primeira vez esse livro recebeu em suas críticas comparações a “O Mágico de Oz”. Hoje relendo concordo COMPLETAMENTE. Ele é um novo “O Magico de Oz” com toques de “Alice no País das Maravilhas” recheado de fantasia e magia, de personagens caricatos, cheios de lições de vida. Uma leitura mega indicada para relaxar e sair de uma ressaca literária.

 

ESPERO QUE TENHAM GOSTADO...

XoXo!

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