A CASA DOS NOVOS COMEÇOS (RESENHA #O4)


A CASA DOS NOVOS COMEÇOS

FICHA TÉCNICA:


TÍTULO ORIGINAL – THE HOUSE OF NEW BEGINNINGS

AUTOR – LUCY DIAMOND

NÚMERO DE PÁGINAS: 317

EDITORA – ARQUEIRO

 

SINOPSE:

 

Em uma casa elegante próxima à orla, três moradoras têm mais em comum do que imaginam...

Uma terrível descoberta leva Rosa a largar uma carreira de sucesso em Londres e, num impulso, recomeçar a vida como sous-chef em Brighton. O trabalho é árduo e estressante, mas a distrai. Bem, pelo menos até ela conhecer a adolescente emburrada que mora no apartamento ao lado, que a faz questionar suas escolhas.

Georgie se muda para o sul com o namorado, Simon, atrás de uma incrível oportunidade... para a carreira dele. Mas ela está determinada a ser bem-sucedida como jornalista e faz de tudo para trabalhar para uma revista local. A princípio, a cidade parece recebê-la de braços abertos, mas não vai demorar muito até ela se meter em várias enrascadas.

Após uma grande tragédia, Charlotte passa as noites isolada em seu apartamento. Porém, Margot, uma senhorinha estilosa que mora no último andar, tem outros planos para ela. Querendo ou não, Charlotte vai precisar encarar o mundo real... e todas as suas possibilidades.

Quando as três se conhecem, a esperança renasce, a amizade floresce e um novo capítulo se inicia na vida dessas mulheres.

 

 

RESENHA:

 

            Depois de alguns meses na minha listinha de compras literárias, finalmente pude ler ”A Casa dos Novos Começos” e posso dizer: valeu a pena esperar para poder ler esse livro na versão física. O combo “frio + café + cheiro de livro novo” combinou perfeitamente com o último mês de inverno e com essa história.

            Mesmo que com narrador onisciente (o que vocês sabem muito bem que não é o meu tipo favorito de narração) a história corre de uma forma tão gostosa que quase nem dei atenção a esse detalhe. Recheado de histórias cotidianas, problemas que se veem por aí todo dia, o livro nos traz uma sensação de proximidade, dando a impressão de que o que acontece com os personagens poderia estar acontecendo com qualquer um de nós. Nos dá uma percepção de alivio quando a autora, de forma vagarosa, mostra que o tempo cura nossas feridas se aprendermos com os erros do passado, e acima de tudo aprendermos a deixá-los onde eles pertencem: no passado.

            A primeira metade do livro acontece mais lentamente. Para mim foi um ponto negativo, pois comecei a ler no dia 02 de setembro e permaneci nessas primeiras 150 páginas até o dia 11, com um ritmo de 10 a 20 páginas por dia e alguns dias de falha. Isso porque a autora, ao apresentar nossas três protagonistas, tenta esconder a necessidade de seus recomeços, as magoas e aflições que as levaram a estarem ali. Ela dá pistas, que de certa maneira entregam, mas não fala definitivamente. Imagino que uma pequena mudança na narrativa teria possivelmente me impulsionado a dar belas 4,5 estrelas.

            O livro acompanha as três co-protagonistas Georgie, Rosa e Charlotte e nos conta um pouco sobre o passado de cada uma e seus recomeços.

            Devo admitir que não amo todas elas e não amei o final de todas elas.

Charlotte, que passou por uma grande perda talvez tenha sida a personagem que mais me tocou. Após sua perda ela mudou toda sua vida, saiu de sua cidade natal, largou emprego, família e amigos e se isolou em um pequeno apartamento em uma cidade litorânea afastada, em um emprego pelo qual não tinha muito apreço, sem amigos e com a ideia de que viveria em luto para sempre, pois isso era o que lhe restaria.

Já Rosa, uma publicitária de sucesso, abandonou seu mundo após uma traição jamais esperada. Largando tudo para trás, mudou-se para o mesmo prédio de Charlotte. Introspectiva e sem confiança nas pessoas começou a trabalhar com culinária, o que mais para frente descobriu ser sua paixão.  Ela é a personagem mais fácil de gostar, a primeira a se abrir e a última a ter seu novo começo.

Georgie foi o meu problema. Torci para ela do início ao fim, mas no final não acho que ela teve o fim que merecia. Ela mudou-se para Brighton afim de acompanhar seu namorado de longa data atrás do seu trabalho dos sonhos. Cheia de condições as quais não foram atendidas, longe da família e amigos, sentindo que seu relacionamento com Simon começará a mudar, nossa terceira protagonista se sente vazia. Decide ir em busca de um emprego e conhecer seus vizinhos na esperança de tornar aquele lugar um pouco mais seu, ao menos pelos próximos seis meses, até que pudessem voltar para casa.

Acho que é completamente normal que em um livro com múltiplos protagonistas cada leitor crie mais intimidade com alguns deles, de acordo com sua personalidade e o momento em que se encontra. Imagino que essa tenha sido a intenção da autora. Não costumo gostar muito desse tipo de livro pelo fato de que quando você detesta um dos personagens torna a leitura muito mais difícil, pois você quer simplesmente pular aquele capitulo, mas embora não tenha gostado tanto de todas, não detestei nenhuma delas.

            Minha personagem favorita do livro, porém, é Margot. Essa senhora experiente, mãe, viúva, francesa e espirituosa de 80 anos (ainda jovem, ok?) tem um impacto gigantesco na vida de Charlotte quando a ensina novamente a viver e ser feliz. Margot é a pessoa que você quer por perto, sem papas na língua e ainda assim muito amável. Ela é uma personagem incrível que claramente sabe viver a vida. Ned é outro personagem muito querido que irá se envolver com Charlotte, qual irá conhece-lo por influência de Margot, que está decidida a apresentar Charlie a todos os melhores solteirões da cidade.

            Jo e Bea adentram a vida de Rosa. Após Jo adoecer repentinamente, Rosa encontra-se sendo sugada de seu mundo introspectivo tendo que cuida de Bea, filha adolescente da vizinha. Não temos muito a oportunidade de conhecer Jo, porém, conhecemos bastante de Bea que durante a narrativa enfrente diversos problemas na escola e na vida pessoal, nos quais terá a ajuda de Rosa.

            Embora haja outros personagens secundários, o ultimo sobre o qual comentarei é Simon. Para mim, o repulsivo Simon! Namorado desde o colegial de Georgie, Simon está correndo atrás de seu grande sonho profissional e parece ter esquecido que está em um relacionamento, criando uma relação autocentrada em que menospreza Georgie e seus feitos o tempo todo.

            Sobre a capa, essa linda, maravilhosa, pacifica, doce e adorável capa, eu não poderia dizer nada além de coisas boas. Para ser sincera, coloquei esse livro na minha lista sem conhecer a autora e se quer ter lido a sinopse, isso porque simplesmente pensei que ele ficaria lindo na minha estante e que o título passava uma sensação boa. Sem criar muitas expectativas acabei, por fim, amando a história.

Mas como nem tudo são flores, uma coisa que me incomodou muito foi a tradução. Dá para perceber que muito se perdeu na história com as pequenas tentativas de “abrasileirar” algumas expressões, o que me faz pensar “será que eu devia começar a ler em inglês?”, afinal, tenho anos e mais anos de curso e nunca tive dificuldade para a leitura no idioma. Um pouco de pratica e eu estaria lendo como se fosse minha língua materna (acho) me permitindo fugir de casos como esse de uma tradução não tão boa.

            Não há dúvidas de que esse livro entra para meu hall de livros favoritos, não que tenha superado “A Linguagem das Flores”, mas eu tranquilamente voltaria a ler ou indicaria para alguém que quer uma leitura gostosa e esperançosa.


NARRAÇÃO (nota 3/5)

PROTAGONISTA (nota 3/5)

PERSONAGENS SECUNDÁRIOS (nota 4/5)

CAPA E DIAGRAMAÇÃO (nota 4/5)


NOTA FINAL: 3/5

 


 

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