Dois anos depois, dois anos agora!

 


Dois anos se passaram e eu ainda estou tentando. Não quero fizer triste nesse dia, ele não me faz triste, muito pelo contrario, mas ressignificar o pior momento da nossa vida é extremamente difícil... ainda assim, eu tento, nós tentamos, cada um da sua maneira, viver o hoje sem permitir que o passado nos assombre.

Dois anos atrás eu estava em agonia, após três dias tendo contrações, sem comer, vomitando e com um hospital me mandando para casa toda vez que eu ia lá para dar inicio ao parto.

No dia 28 de abril eu dei entrada, após vários descasos, após ter meu direito negado, dedos enfiados rudemente em minha região intima, minha bolsa estourada na mão de uma estudante, após precisar acordar e colocar em risco uma amiga com pais idosos porque negaram que meu marido estivesse comigo, após tudo isso fui encaminhada para a cesárea, meu filho ia nascer, eu estava sozinha, não raciocinava mais de tanta dor, lembro de pedir pela presença do Leonardo, lembro de ele gritar de pavor pedindo para estar comigo, lembro dos médicos, estudantes e enfermeiros negando.

Ele não pode estar lá para ver o filho nascer, eu me sentia desmaiando em meio ao procedimento, não ouvi meu filho chorar "Isso não era um filme" respondeu a enfermeira quando perguntei "onde estava meu bebê? Ele estava bem?".

O Nolan está bem hoje, o Leonardo esta tentando seguir em frente, mas nunca mais teremos aquele momento, ele foi arrancado de nós, isso deixa cicatrizes, nós sentimos. Há uma dor fantasma, tentamos na maioria dos dias ignorar, as vezes acho que esqueci, mas ela está lá.

Prometemos não deixar que nos afastem de novo, Não vão. Somos mais fortes que um sistema quebrado com pessoas quebradas.

Vou começar a chorar se não parar de escrever agora, eu avisei que ainda dói. Sempre vai doer.

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